Jéssica Chagas

Jessica Chagas, bacharel em Educação Física, atriz, dançarina, praticante de jiu-jitsu – faixa azul!

Curiosa, adora viver em constante evolução e aprendizado. Amante da natureza, da música, da poesia e da arte em sua totalidade. Louca por gatos, mãe do Tom e do Theo. E de agora em diante, sua amiga e confidente aqui na Revista Meu Bairro! Vamos trocar figurinhas? *

A mulher e o seu campo de batalha

Jéssica Chagas

21 de setembro de 2020

“Lugar de mulher é onde ela quiser” – Parece um frase batida, mas é exatamente isso. Mais do que etimologicamente falando, a prática e a vivência disto nos faz sentir tão bem ao ponto de irmos, cada vez mais, em busca de saciarmos nossos desejos e de alcançar nossos objetivos.


Falo desta experiência, pois foi assim que me senti quando me inseri no âmbito da luta. Era algo muito distante para mim e humanamente impossível me imaginar fazendo algum tipo de luta. Embora, eu sempre tenha admirado e soubesse dos benefícios que a luta proporciona, eu não me achava capaz, nem tinha o “perfil” de lutadora.


Mas, meus olhos brilhavam quando eu via alguém praticando alguma modalidade, ainda mais quando era mulher.  Então, eu ficava olhando por um longo período e pensava: “Nossa, como ela é forte!”, “Será que não machuca?”, “Acho que ela não é delicada, tem que ser durona…” – pensamentos repletos de senso comum e pré-julgamento.


Com o passar dos anos, a vida me colocou novamente frente a frente com a luta. Só que desta vez, fui contratada para trabalhar em uma academia de Jiu-jitsu, no setor administrativo, e para mim isso já era mais que suficiente!


Lembro que fiquei assustada quando vi uma aula pela primeira vez, com aquelas pessoas usando quimonos, que para meus olhos leigos pareciam pesados e extremamente quentes. Eu via aquelas pessoas rolando no chão, trocando suor, gritando com veemência e fervor um sonoro “oss!” e pensava: “Quanta gente doida! Eu, hein!” “Que graça tem isso?” – eu sentia meus ossos doerem só de olhá-los fazendo aquilo.


Com o passar dos dias e com a convivência cotidiana, neste cenário que em outrora foi criado e implementado pelo Mestre Ryan Grace, comecei a olhar a luta por um outro prisma: era contagiante ver como os praticantes gostavam e saiam felizes dos treinos.


Porém, eu também observava as poucas mulheres que lutavam… Era possível contar apenas com os dedos de uma só mão! Eu as observava atentamente, como se quisesse descobrir quais os atributos necessários para lutar Jiu-jitsu, mas o medo de me machucar e de um possível julgamento me retesava.


Era estranho e impalpável para mim falar de Jiu-jitsu e vender o Jiu-jitsu, pois eu não sabia na essência o que era. Eu já havia estudado sobre, sabia sua origem, níveis de graduação e já havia pesquisado sobre grandes mestres, mas faltava algo… Faltava sentir o Jiu-Jitsu.

Jéssica Chagas

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